Se há algo que aprendi nesta jornada, é que a vida tem maneiras inusitadas de nos fazer prestar atenção. Não estou falando dos toques sutis, daquela dica que uma amiga nos dá, do filme que parece falar diretamente conosco, ou dos símbolos que o nosso eu superior insiste em nos enviar. Falo, sim, do CHOQUE. Aquele raio que parte a nossa energia, que nos dá uma sacudida forte o suficiente para que sejamos forçados a parar, a olhar para trás e, mais importante, a redefinir para onde vamos a partir dali. E a minha defesa principal, a minha convicção terapêutica, é que é precisamente nesses momentos de grande susto que se esconde a maior oportunidade: a de abraçar a filosofia de que 'tudo acontece para o nosso bem maior.
É muito fácil, na hora do impacto, cair na narrativa da punição. Sentir-se um azarado, um lixo, ou que o universo está em guerra conosco. Mas, se permitirmos que o ego ou o ego do outro domine a interpretação, nos perdemos num labirinto de erros, acertos e culpas, perdendo o fio da meada da nossa própria evolução. A dor é real, o trauma pode ser real, mas a forma como escolhemos interpretar essa "nota zero" que a grande professora Vida nos deu é o que define o nosso futuro. É neste ponto que devemos respirar fundo e, com maturidade, perguntar: "O que estou ganhando com este choque? Quais virtudes estou sendo desafiado a desenvolver?". É o nosso ponto de calibração, o momento de nos realinharmos e voltarmos ao eixo.
A chave, e é isto que insisto em defender, é transcender a visão limitada do aqui e agora, do "oito ou oitenta", do preto e branco. Olhar apenas para o nível central da nossa existência – este corpo, esta história desde a gestação – é o que torna o sofrimento da perda ou do trauma incompreensível e avassalador. Não faz sentido se nos sentimos estraçalhados e sem rumo. É preciso reconhecer que somos seres de múltiplas camadas. Há o nível genético, que carrega as histórias de sete gerações, o nível histórico do inconsciente coletivo e, mais profundo, o nível da nossa alma. A matemática da vida não se fecha apenas neste plano. Há aprendizados grandes, aqueles que tocam no nosso destino, para os quais a natureza, de fato, precisa fazer mais força para nos despertar.
Portanto, ao aceitar essa lente filosófica e terapêutica – que há uma linha do tempo nítida, preparada para o nosso avanço – conseguimos aplicar uma película de amor sobre a realidade. Essa visão nos permite ver que mesmo os eventos mais difíceis, como uma separação ou uma perda, não vieram do nada; eles foram precedidos de avisos que talvez tenhamos negligenciado. Mas agora, com o choque, temos a oportunidade de realizar um profundo exame de autoavaliação, de buscar ferramentas como a terapia e o ThetaHealing®, para acessar as histórias lógicas, porém silenciosas, que o nosso subconsciente está contando. Somente assim percebemos que somos infinitamente mais do que acreditamos ser, que o outro também é, e que a vida, longe de nos punir, está nos orientando com uma sabedoria que transcende a compreensão imediata, levando-nos ao autoconhecimento, à clareza, à lucidez e, principalmente, ao perdão.